
Victor Glemaud: do tricô aos tecidos para interiores
As colaborações de Victor Glemaud com Fitbit e Schumacher levam a cor e a textura de seu tricô para acessórios e interiores.

Foto: Viki Forshee / Vogue.
Victor Glemaud lançou sua marca em 2006 com peças marcantes de tricô, segundo sua biografia oficial. Seu trabalho também inclui pulseiras de Fitbit em tricô e tecidos de decoração para a Schumacher. A mudança de contexto traz uma mudança de escala: a cor pode envolver um pulso, cobrir uma peça de roupa ou se repetir por um ambiente. Em todos esses projetos, o tecido continua sendo o ponto de partida para criações que combinam uma identidade visual forte com o uso cotidiano.
Uma carreira entre design e comunicação
Criado no Queens, Glemaud estudou no Fashion Institute of Technology de Nova York e começou a carreira como assistente de Patrick Robinson. Depois, trabalhou com comunicação de moda na KCD antes de retornar ao design em 2005. Vieram em seguida funções na Paco Rabanne e na Tommy Hilfiger. O perfil de 2021 do FIT acompanha esse percurso tanto pela criação quanto pela apresentação das roupas.
Esses trabalhos implicavam relações diferentes com uma peça: desenvolvê-la no estúdio, comunicá-la ao público e estabelecer uma identidade reconhecível para uma marca. A própria marca de Glemaud reuniu essas questões em torno do tricô. Em 2017, ele se tornou finalista do CFDA/Vogue Fashion Fund, marco também registrado no perfil do FIT.
A marca descreve suas roupas como destinadas a pessoas de diferentes gêneros, raças, tamanhos e personalidades. Essa ambição declarada coloca quem veste ao lado da afirmação visual. A proposta é ampla: uma estética clara que deixa espaço para diferentes maneiras de se vestir.
Tricô em outra escala
Em agosto de 2020, o CFDA anunciou a colaboração de Glemaud com a Fitbit para os modelos Sense e Versa 3. O anúncio descrevia pulseiras tricotadas feitas com fibras de plástico reciclado REPREVE. Os modelos incluíam um chevron vermelho e dourado, camadas de preto e vermelho e dourado metálico com preto.
Uma pulseira de relógio oferece pouco espaço para um designer estabelecer uma identidade. O padrão precisa funcionar em uma faixa estreita, próxima à pele e ao lado do mostrador. As combinações de Glemaud fizeram da cor e da textura do tricô os elementos distintivos de um acessório ligado a um dispositivo tecnológico.

Foto: cortesia da Schumacher / Harper's Bazaar.
O projeto também levou uma construção associada às suas roupas para outra parte do guarda-roupa. O tricô se tornou algo que uma pessoa podia vestir sem mudar todo o look. A escolha de fibra documentada acrescenta um detalhe material específico; por si só, porém, ela não determina o impacto ambiental da pulseira pronta.
Padrão como registro de um lugar
O trabalho de Glemaud com a Schumacher passa do corpo para os interiores. A descrição da Toussaint Toile da fabricante identifica cenas que celebram Toussaint Louverture ao lado de flores, folhagens e paisagens haitianas. A Schumacher apresenta o desenho como uma homenagem à herança caribenha de Glemaud.
Essa referência histórica dá ao padrão um tema, além de uma função decorativa. As figuras e paisagens colocam o Haiti dentro de um tecido pensado para espaços domésticos. A repetição pode levar essas imagens por uma superfície ampla, fazendo das cenas históricas parte do que os ocupantes de um ambiente encontram todos os dias.
O catálogo da coleção também lista Jessie Cut Velvet, Keket Stripe Tape e Evelyne Crochet Trim. São diferentes formas de intervenção têxtil: um tecido texturizado pode cobrir uma área considerável, enquanto uma fita ou acabamento marca uma borda. Juntos, eles ampliam a coleção das superfícies maiores de um ambiente até seus detalhes de acabamento.
De uma peça de roupa a um ambiente
Os projetos para Fitbit e Schumacher mostram duas direções de um designer cuja prática começou com tricôs marcantes. Um comprime cor e textura em um acessório. O outro dá ao padrão espaço para se repetir, incluindo imagens com uma referência cultural e histórica específica.
A escala muda a experiência. Uma pulseira é vista à distância do braço e se move com quem a usa; um tecido de decoração pode ser lido do outro lado do ambiente e examinado mais de perto à medida que alguém se aproxima. Em cada contexto, a proporção determina quanto de um padrão é visível de uma só vez.

Foto: cortesia da Schumacher / Harper's Bazaar.
O tecido conecta esses projetos, enquanto seus usos os mantêm distintos. O trabalho de Glemaud transita entre o vestir pessoal e os ambientes domésticos por meio de decisões sobre cor, textura e o espaço ocupado por uma imagem.




















































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